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by PORTO ALEGRE CIA DE DANÇA

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CÉU ALTO

Caros Amigos,

Eu estou ansioso para ver o novo Céu artístico em Porto Alegre. Desta vez, estou escrevendo para vocês desde Escócia onde estou de férias por alguns dias e onde o céu é também lindamente  dramático.

Eu não conheço muito bem a dança escocesa. Sei que existem duas companhias que são subsidiadas pelo governo. Uma é a Scottish Ballet in Glasgow. É uma enorme companhia clássica constituída já há algum tempo. Recentemente mudou seu estilo para trabalhos mais modernos através de trocas de diretores, mas sua base é sempre clássica. A outra é um grupo menor, a Dundee-Scottish Dance Theatre. É praticamente impossível viver só da dança por aqui. As platéias são muito conservadoras e o tipo de trabalho apresentado é bastante provinciano.

Em contraste nós, temos o Festival de Edimburgo, em agosto. É provavelmente o maior festival do mundo e todas as grandes companhias de dança e teatro aparecem. É realmente uma adorável antiga cidade universitária e o festival é realmente um lugar fantástico para desfrutar do ambiente descontraído tipicamente escocês.

Tão cedo após a morte Pina outro famoso coreógrafo se foi, Merce Cunningham. Foi em Londres durante o início dos anos 80 como estudante de balé clássico que eu entrei em contato com seu trabalho pela primeira vez. A utilização de movimentos e sons eletrônicos altos era novidade para mim e tão atraente a maneira como os bailarinos se deslocavam no palco. Merce visitava Londres regularmente naquele tempo, com sua companhia. Após assisti-los me dei conta que existem inúmeras possibilidades na dança, mais do que eu já havia conhecido até então.

A maioria dos jovens coreógrafos britânicos da época foram fortemente influenciados pelo estilo Cunningham e lembro de ficar muito impressionado por ele ter criado uma peça e juntado a coreografia à musica apenas nos últimos dias de ensaio. (Seu cúmplice dentro e fora do palco foi o compositor John Cage).

Poucos anos depois eu estava em Roterdam e tinha acabado de ser aceito por Pina Bausch para participar de sua companhia em Wuppertal. Eu nunca tinha tido aulas de dança moderna e por isso fui correndo assistir aulas de estilo Cunningham, a fim de preparar-me para a Alemanha. Não me dei muito bem com essa técnica. Eu nunca conseguiria seguir aquelas seqüências intermináveis e as aulas mesmo, não tinham alegria. Mais exercício do que dança.

Apenas um ano mais tarde e eu estava em Nova Iorque, em turnê com a Companhia de Pina Bausch dançando “Kontacthof” no BAM – Brooklyn Academy of Music. Foi minha primeira grande turnê para a Big Apple e foi espantoso ver quantos nomes famosos estavam sentados na platéia. Pessoas como Woody Allen e Mia Farrow, Andy Warhol, Bianca Jagger, Diane Keaten para citar alguns… A verdade é que o seu fascínio era por Pina, e não por nós bailarinos, mas foi divertido estar perto de seu mundo por um tempo. Então, após uma apresentação Merce Cunningham fez uma aparição no backstage de “Kontacthof”. Ele parabenizou Pina e os bailarinos, e tanto ele como Pina pareciam tímidos por se encontrar. Lembro-me de pensar que ele deve ter achado a performance estranha. Seu trabalho era tão frio, movimentos mecânicos e quase clássicos, sem sentimentos ou história. Até mesmo seus figurinos lembravam bastante roupas de treinamento esportivo.

Eu sempre me lembrarei dele como o meu primeiro coreógrafo moderno, mas naquele momento eu estava apaixonado por outro – Pina Bausch da Alemanha e sua dança de emoções humanas.

Espero que nos encontremos em breve.

Com amor, Mark.

∗ imagem:  de Martha Swope: Merce Cunningham in rehearsal for the New York City Ballet premiere of Summerspace e do arquivo Pina Bausch Foundation: Bonn’s Art and Exhibition Hall, Pina Bausch and the Tanztheater.
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Connections – carta IX