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by PORTO ALEGRE CIA DE DANÇA

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ESPERANDO EM VÃO

Foi ótimo ler as palavras do Renato e eu estou feliz em ver que a Companhia está progredindo. Eu acho que temos muito para olhar em frente para o futuro.

Este mês eu apresentei uma nova produção aqui em Wuppertal – “Waiting in Vain”, obra  para cinco bailarinos. Três deles são estudantes da Folkwang: Jeong Lee, uma jovem da Coréia, Pablo Harari da Argentina e Alfredo Zinola da Itália. Os outros dois são meus estudantes em Werkstatt, uma escola local de dança e música. Jan Lade e Jan Möllmer têm 16 e 18 anos respectivamente. A peça para 4 homens e 1 mulher tem como título uma musica de Bob Marley e a coreografia é acompanhada de seu reggae. Nós trabalhamos juntos no projeto por uns dois meses e foi a primeira vez que eu juntei bailarinos amadores e profissionais em uma peça. Foi interessante ver as diferenças entre eles nos ensaios e depois no palco. A peça é plena de movimento e eu tentei descobrir qual movimento seria melhor para cada pessoa e explorar suas capacidades individuais. Apesar dos amadores terem pouca técnica, eles têm um caminho natural que por vezes se perde quando o bailarino cresce. Então eu me vi voltando para idéias e passos simples e ainda assim a dança é muito complexa mesmo para os mais experientes.

A peça tem lugar em um palco branco e o fundo contém uma parede de mais ou menos 450 flores de lótus pintadas por mim no papel, com tinta preta e rosa. Eu trabalhei por meses para criar a pintura e o sentimento que eu queria na peça era de leveza e harmonia. Algo para agradar os sentidos. Às vezes parece que o movimento sai do chão. Eu não diria que o trabalho é exatamente abstrato e certamente não é uma peça de dança teatro, mas uma composição de movimentos em que cada movimento conta sua historia. Essa é a direção em que tenho ido nesse ultimo período. Eu diria que o meu trabalho vem do estômago. Peço para os bailarinos improvisarem nos ensaios, mas no fim a coreografia vem de meu próprio material. Eu uso esses momentos de improviso para conhecer as qualidades e características dos bailarinos. Eu continuo a olhar para os movimentos que servem para cada pessoa no resultado final.

Tenho ensinado dança moderna no Werkstatt aqui em Wuppertal há dois anos. Atualmente ensino três vezes por semana. Duas dessas aulas são para adultos e a outra para adolescentes. No momento eu tenho ao todo 16 estudantes. Minhas aulas são bastante coreografadas. Trabalho um pouco a técnica (barre) e no centro uso meu estilo de movimento. Tento deixar os estudantes terem uma boa experiência de movimentação pelo espaço, e com o ritmo e dinâmica. Quando há tempo suficiente, improvisações podem acontecer e se eu estou trabalhando em uma nova peça algumas idéias coreográficas são desenvolvidas. Isto fez sentido como um maior desenvolvimento ao trazer dois jovens para a Companhia. Eles certamente estavam muito entusiasmados em participar da primeira criação artística e agora ambos estão certos de que a dança será central em suas vidas. Tem sido uma alegria acompanhar seu desenvolvimento. Eu estou aprendendo muito e entendo que o sucesso na dança (e no ensino) tem muito a ver com confiança em si mesmo e com criar uma energia agradável no estúdio.

Não tenho visto muito aos dançarinos da Pina Bausch Company ultimamente devido ao fato de eles terem uma estréia marcada para daqui a duas semanas, o que significa que estão em um estágio de intensivos ensaios. Tentarei ver a performance que estará no Operhouse aqui em Wuppertal, em junho. Existem dois teatros na cidade em que a Companhia se apresenta normalmente, Playhouse e Operhouse. Há também uma Companhia de Ópera e uma Companhia de Teatro pertencentes à Wuppertal, assim como Pina. O Operhouse ficou fechado por dois anos devido a reformas e foi reaberto esse ano. O Playhouse está fechado por um período e eu acho que em razão de novas normas de segurança que são geralmente impostas a prédios públicos. Eu espero ter uma conversa com Dominique Mercy nos próximos dias e descobrir como está indo o novo trabalho. Contarei para vocês mais tarde.

É uma honra ter minhas cartas no mesmo Blog junto com as  de  Fischer! Talvez isto seja interessante para ver o contraste entre as palavras de um grande escritor e as de um bailarino tentando escrever.

Meus gentis cumprimentos a todos vocês, meus amigos porto-alegrenses.

Mark

* imagem: Opernhaus em Wuppertal
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Connections – carta IV