Eu Estive Aqui
«Eu Estive Aqui» – Tânia, sábado estive lá.
Que concepção cheia de nuances. Pena que não seja um especialista em dança para fazer comentários de forma significativa. Mas muitas coisas me chamaram a atenção. Em primeiro lugar a utilização da música brasileira, centrada principalmente na riqueza da contribuição afro-brasileira. Ritmos, pulsações, referências rituais distintas, mas que se fundiam num todo coerente. Em segundo lugar, o mais interessante foi perceber essa escuta por um europeu e sua escrita em movimento para corpos de intérpretes brasileiros. Se havia pontos identificáveis de signos rituais, o resultado sempre ocorria em estranhamento. Se os ritmos podiam contribuir para ser algo leve e envolvente, havia no código de movimentos algo de enigma que perturbava (positivamente) a recepção. Para esse efeito contribuíam vocês intérpretes. Alguns ensaiavam o sorriso, mas não de forma coletiva (não sei se proposital), o que reforçava ainda mais o estranhamento e a forma de apreensão. Enfim, estimulante perceber como nossa cultura é potente em expressão e força e quantas hipóteses são possíveis na criação reunindo tradição e ruptura. Mark lidar com Caetano Veloso na trilha de Eu Estive Aqui me fez lembrar a inesquecível Pina (lembro do solo sobre a canção O Leãozinho que fez parte de uma de suas criações). Enfim, agradeço o convite. Sucesso para a Companhia! Beijo.



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