{"id":11556,"date":"2017-12-10T12:59:57","date_gmt":"2017-12-10T14:59:57","guid":{"rendered":"http:\/\/poaciadanca.com.br\/?p=11556"},"modified":"2021-09-09T23:36:41","modified_gmt":"2021-09-10T01:36:41","slug":"cuba-nao-e-aqui-tania-baumann","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/poaciadanca.com.br\/es\/2017\/12\/10\/cuba-nao-e-aqui-tania-baumann\/","title":{"rendered":"Rumo ao Desconhecido V"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-es\">Disculpa, pero esta entrada est\u00e1 disponible s\u00f3lo en <a href=\"http:\/\/poaciadanca.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11556\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pb\" title=\"Portugu\u00eas do Brasil\">Portugu\u00eas do Brasil<\/a>. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.<\/p><p>[vc_row][vc_column][section_header use_decoration=\u00bb1&#8243; layout_type=\u00bbsection-heading-thin-border\u00bb main_heading=\u00bbCUBA N\u00c3O \u00c9 AQUI\u00bb separator_color=\u00bb#c4aa77&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<a href=\"http:\/\/poaciadanca.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/V-dentro.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-12243 size-full\" src=\"http:\/\/poaciadanca.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/V-dentro.png\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"756\" srcset=\"http:\/\/poaciadanca.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/V-dentro.png 1200w, http:\/\/poaciadanca.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/V-dentro-300x189.png 300w, http:\/\/poaciadanca.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/V-dentro-1024x645.png 1024w, http:\/\/poaciadanca.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/V-dentro-768x484.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>&#8230; e o extraordin\u00e1rio privil\u00e9gio, o infinito prazer da cultura!<\/strong><\/p>\n<p>Faz alguns dias vi um document\u00e1rio chamado <em>Todo Cambia (2013).<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 sobre a forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica em Cuba e \u00e9 estruturado sobre depoimentos de v\u00e1rios artistas que cursaram as escolas de arte no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio come\u00e7a com um trecho de um discurso de Fidel Castro falando sobre cultura. Fidel era uma homem culto e sua primeira frase no discurso d\u00e1 o tom de sua fala: \u00a0\u00abeu sei o que n\u00e3o sei\u00bb. Ele fala de forma simples e direta da import\u00e2ncia\u00a0 da cultura e da educa\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de um cidad\u00e3o e do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Fidel pessoalmente, entre muitas outras prioridades ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o,\u00a0 definiu onde funcionaria a Escola Nacional de Artes. Achou que um antigo Clube de Golfe, frequentado pela elite americana que usava a ilha para divers\u00e3o, tinha atmosfera, era um lindo local para abrigar e promover a forma\u00e7\u00e3o dos futuros artistas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No filme revi a Havana que tanto percorri, Habana Vieja, El Malec\u00f3n, casas e constru\u00e7\u00f5es que um dia foram majestosas, mas que beiram a ru\u00edna como se v\u00ea nas imagens. Revi a Escola Nacional de Artes tamb\u00e9m, que visitei algumas vezes acompanhando amigos que estudavam l\u00e1.<\/p>\n<p>Tive a oportunidade de viver na ilha, de 1991 a 1993, primeiro participando do Ballet de Camaguey e depois em Havana, onde al\u00e9m de aulas, tive a chance de \u00a0tomar parte de apresenta\u00e7\u00f5es de Giselle com o Ballet Nacional de Cuba, na \u00e9poca sob dire\u00e7\u00e3o de Alicia Alonso.\u00a0 Vinha de alguns meses em Porto Alegre, depois de dois anos passados na Ucr\u00e2nia e a total mudan\u00e7a de cen\u00e1rio foi uma experi\u00eancia muito rica e totalmente necess\u00e1ria na \u00e9poca porque me sentia uma estrangeira em meu pr\u00f3prio pa\u00eds. A experi\u00eancia vivida na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica havia sido transformadora e no regresso a Porto Alegre sofria para me readaptar, via o consumo exagerado, o desperd\u00edcio desmedido, achava tudo muito desinteressante.<\/p>\n<p>Foi com al\u00edvio que desembarquei em Havana e j\u00e1 nos primeiros dias no Caribe, senti a for\u00e7a do clima tropical sobre a ilha. Presenciaria algumas vezes o fen\u00f4meno: um forte temporal, que mais parece o fim do mundo e que logo d\u00e1 lugar a um c\u00e9u limpo com sol, como se nada tivesse acontecido. Depois de enfrentar o inverno russo era uma ben\u00e7\u00e3o passar os dias sempre quentes com roupas leves, aproveitando o sol e sentindo o mar t\u00e3o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>A escola de ballet em Cuba tem clara influ\u00eancia da escola russa, muitos professores viajaram do velho mundo para l\u00e1 e creio que muitos maestros cubanos tiveram forma\u00e7\u00e3o diretamente com estes professores. Posso at\u00e9 dizer que a Escola Cubana \u00e9 uma Escola Russa adaptada, porque afinal o ballet chegara ao Caribe. Mas o fato \u00e9 que existe uma escola, ela \u00e9 forte e forma excelentes bailarinos.<\/p>\n<p>Os cubanos s\u00e3o dan\u00e7antes por natureza, todos na ilha, sejam crian\u00e7as, adultos ou idosos, dan\u00e7am salsa e dan\u00e7am bem! Eles s\u00e3o tamb\u00e9m muito musicais e l\u00e1, conheci muitos m\u00fasicos, alguns com forma\u00e7\u00e3o na escola, outros autodidatas, gente muito talentosa. O povo \u00e9 uma grande mescla prioritariamente de origem espanhola e africana. Gente muito alegre, que lutou para ter direito a coisas b\u00e1sicas como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o e que consegue fazer piada de tudo ao mesmo tempo que sabe argumentar por suas ideias.<\/p>\n<p>Todo tempo que passei l\u00e1, a ilha estava no chamado Per\u00edodo Especial. O muro de Berlin j\u00e1 havia ca\u00eddo e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica havia se desfeito. Cuba sofria com a falta de petr\u00f3leo, de comida, de energia. O bloqueio americano seguia e ent\u00e3o, havia racionamento sempre. Muitas vezes andando pela rua a noite, acontecia um \u00abapag\u00f3n\u00bb e tudo ficava escuro. No in\u00edcio me assustava, pensando que poderia ser assaltada ou sofrer alguma viol\u00eancia, depois percebi que nada absolutamente poderia acontecer, Cuba era uma ilha totalmente segura.<\/p>\n<p>Algo que notei logo que cheguei na ilha foi o quanto estava acostumada a classificar, inconscientemente, meus interlocutores.\u00a0 Pela forma de vestir, pelo local onde se encontram, pelo vocabul\u00e1rio que usam, etc. Em Cuba \u00e9 poss\u00edvel perder todas estas refer\u00eancias, nunca sabes exatamente com quem est\u00e1s falando e as pessoas n\u00e3o fazem quest\u00e3o de deixar isso claro, como um r\u00f3tulo. Ter\u00e1s que conversar com elas para descobrir e podes encontrar qualquer um de forma acess\u00edvel, seja para descobrir que \u00e9 um trabalhador bra\u00e7al ou um artista ou um PHD em qualquer coisa. Acho que \u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 analfabetos em Cuba,\u00a0 todas as pessoas l\u00e1 tem acesso a educa\u00e7\u00e3o e isso traz consist\u00eancia e d\u00e1 dignidade.<\/p>\n<p>Um dos pontos altos de minha estada na ilha foi a conviv\u00eancia com artistas de diversas \u00e1reas: m\u00fasica, artes visuais, artes c\u00eanicas. Isso era incrivelmente interessante, nas festas e reuni\u00f5es, todos se juntavam e se conheciam. Ali\u00e1s, o encontro j\u00e1 era a festa&#8230;<\/p>\n<p>Levei tempo para entender o que no document\u00e1rio fica evidente. Eles cursaram a Escola de Artes juntos e esta criava oportunidades de conviv\u00eancia e troca entre eles. Estavam formando artistas, mas mais do que isso formavam pessoas e da\u00ed o interesse por estimular o encontro, o embate de id\u00e9ias, o senso cr\u00edtico, o contato com a realidade das comunidades e o sentido de pensar seu papel na sociedade enquanto artista. Ver no document\u00e1rio aqueles artistas falando com tanta propriedade de sua forma\u00e7\u00e3o, com um discurso bem articulado que vem da experi\u00eancia \u00e9 algo que me emociona.<\/p>\n<p>Foi em Havana que tive, por meio de um grande amigo diretor de teatro, Victor Varela, os primeiros contatos com uma dan\u00e7a diferente para mim, que n\u00e3o era ballet cl\u00e1ssico. Da forma como me foi apresentada, abriu meus horizontes est\u00e9ticos de forma irrevers\u00edvel. Posso dizer que esta foi a grande transforma\u00e7\u00e3o que sofri em Cuba. Meu amigo insistia que eu podia ser muito mais que uma int\u00e9rprete, uma bailarina cl\u00e1ssica e podia explorar as tantas outras formas de dan\u00e7a que surgiram de movimentos interessantes pelo mundo. Ele me convenceu que meu temperamento era outro e foi me mostrando pacientemente trabalhos instigantes que iriam influenciando um corpo j\u00e1 meio cansado do repetitivo repert\u00f3rio cl\u00e1ssico e de viver princesas, cisnes e fadas.<\/p>\n<p>Hoje, vivendo aqui no Brasil e olhando nosso contexto atual, valorizo ainda mais a Escola de Arte. Ela pode formar grandes artistas, mas pode tamb\u00e9m simplesmente formar pessoas mais sens\u00edveis, que possam frequentar um museu ou um concerto musical e articular uma opini\u00e3o pr\u00f3pria e ter senso cr\u00edtico.<\/p>\n<p>E isso, ao meu ver, j\u00e1 \u00e9 muito e faria toda a diferen\u00e7a!<\/p>\n<h6>foto: Fidel Castro e a bailarina \u00edcone Alicia Alonso<\/h6>\n<div data-blogger-escaped-style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/poaciadanca.com.br\/a-diretora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"T\u00e2nia Baumann (abre numa nova aba)\">T\u00e2nia Baumann<\/a><\/strong><\/p>\n<h6><strong>\u2217 Bailarina e diretora da Porto Alegre Cia de Dan\u00e7a.<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disculpa, pero esta entrada est\u00e1 disponible s\u00f3lo en Portugu\u00eas do Brasil. 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